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Pouca gente sabe,
mas o necrochorume, líquido eliminado por cadáveres
por no mínimo seis meses, pode comprometer o
meio ambiente e causar problemas de saúde se
não for devidamente tratado. A substância,
de cor acinzentada, cheiro acre e fétido, é
formada por 60% de água, 30% de sais minerais
e 10% de substâncias orgânicas, duas delas,
aliás, altamente tóxicas: a putrescina
e a cadaverina.
De acordo com
Maria Rosí Melo Rodrigues, engenheira sanitarista
da Tegeve Ambiental, empresa especializada em saneamento
ambiental, os microorganismos liberados durante o processo
de apodrecimento dos corpos pode transmitir doenças
por meio da ingestão ou contato com água
contaminada pelo necrochorume. “É assim
que muitas pessoas podem acabar sendo vítimas
de enfermidades como hepatite, febre tifóide,
paratifóide, tuberculose e escarlatina, entre
outras”, afirma.

Apesar
de haver uma Lei que obriga os cemitérios a terem
sistemas de tratamento de necrochorume (CONAMA 335 de
03 de abril de 2003), o fato é que a maioria
deles não apresenta estanqueidade em seus túmulos
e por esta razão há um vazamento natural
do necrochorume. “Este líquido pode atingir
as águas subterrâneas – lençóis
freáticos – que consequentemente pode atingir
os rios ou até mesmo serem captadas por meio
dos poços artesianos e contaminar consideravelmente
quem consumir este tipo de água”, explica
Maria Rosí.
Uma alternativa
é que os cemitérios tenham estações
de tratamento para o necrochorume. “Com o tratamento,
todo o líquido é encaminhado para um sistema
de drenagem devidamente projetado para evitar contaminação
do solo, e desta drenagem segue até as unidades
de tratamento que removem as cargas orgânicas
mais tóxicas e lança no corpo hídrico
um efluente menos impactante ao meio ambiente”,
conta a engenheira, ressaltando que os benefícios
do tratamento são diversos, mas principalmente
a proteção e a manutenção
da qualidade de nosso meio ambiente e a proteção
à saúde da população, o
que é incontestável.
FONTE:
Revista Meio Ambiente Industrial |
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